O projeto Caminhar Afro-Feminino criou e aplicou a metodologia participativa que avalia a caminhabilidade com perspectiva de gênero e raça no centro histórico de Salvador.

O projeto integra caminhabilidade com desenvolvimento do turismo responsável com perspectiva de gênero e raça, especificamente centrada em meninas e mulheres negras.  Para isso, foi elaborada e aplicada metodologia participativa de análise das condições da caminhabilidade dos espaços públicos em promover ambientes que acolham e representem as mulheres negras, para produzir conhecimento e engajar o poder público a partir das experiências de quem vive e trabalha no local.

Realizado no centro histórico de Salvador, o projeto articulou a participação conjunta de três grupos: servidoras/es públicos, mulheres afro-empreendedoras e trabalhadoras/es do receptivo turístico, de forma a criar uma ponte entre os diferentes atores envolvidos no planejamento urbano e na tomada de decisões, especificamente criando um meio e espaço para que as populações marginalizadas participem ativamente das transformações territoriais.

O projeto visa tornar o planejamento turístico, territorial e de espaços públicos mais colaborativo, incluindo populações marginalizadas nos processos, a fim de construir cidades mais justas, seguras e acolhedoras para meninas e mulheres. Um dos principais resultados foi dar visibilidade às demandas de gênero e raça relacionadas ao espaço público e caminhada, além de ampliar a relação entre turismo e caminhabilidade e fornecer dados para melhorar a qualidade dos espaços públicos para quem mora nas cidades.

O projeto foi parte do Plano Turístico Afro-étnico de Salvador de 2019, agregando a visão de caminhabilidade e desenvolvimento de espaços públicos focados em acolher e representar mulheres negras para gerar territórios mais prósperos e justos. 

As mulheres negras participantes foram fortalecidas e empoderadas com ferramentas e conceitos para reivindicar e influenciar a transformação da cidade, e as técnicas e servidoras públicas municipais também foram impactadas pela importância da perspectiva de gênero e raça  nos projetos urbanos e de desenvolvimento, podendo influenciar projetos futuros. 

Desafios atuais ou continuidade

Realizar a metodologia e treinamento em mais cidades e em mais territórios e projetos. Voltar a analisar se houve melhoria no índice após a requalificação e quais elementos foram incorporados. Criar mais capacitações e formações para que a perspectiva de gênero e caminhabilidade seja inserida na transformação das cidades. 

Pessoas e organizações envolvidas
  • SampaPé!,
  • Secretaria Municipal de Cultura e Turismo,
  • Prefeitura de Salvador,
  • Prodetur Salvador,
  • Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Consultora

  • Bethânia Boaventura.
Objetivos
  • Indicar caminhos e soluções que, a curto prazo, promovam melhorias no espaço urbano no Centro Histórico de Salvador, gerando um ambiente mais acolhedor e seguro, principalmente para mulheres negras.
Estratégias e ações
  • Elaboração de metodologia técnica com perspectiva de gênero e raça; oficinas com cidadãs e integração de atores; avaliação de território com índice de caminhabilidade; capacitação com gestoras e gestores públicos; análise e relatório de recomendações.
Datas
  • 2021.
Financiamento
  • Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).